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Burnout, como o corpo e a mente se queixam do excesso

O termo "burnout" foi criado pelo psicanalista Herbert Freudenberger em 1974. As primeiras observações sobre esta condição clínica foram feitas em profissionais da saúde que, de modo geral, estão sujeitos a longas e exaustivas jornadas sob alta pressão e tensão emocional. Freudenberger observou que o quadro era decorrente de um intenso estresse ocupacional. O burnout foi recentemente reconhecido como uma doença ocupacional pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Ele pode afetar negativamente o bem-estar geral e interferir no desempenho no trabalho, nos relacionamentos pessoais, na saúde física e mental.


Ainda que o burnout tenha sido inicialmente descrito em profissionais de saúde, uma série de mudanças no mercado de trabalho tem favorecido o seu aparecimento em diversas outras profissões. O aumento da competitividade, a sobrecarga de tarefas e a escassez de recursos somados a um ambiente de trabalho hostil compõem um cenário propício para o desenvolvimento do burnout. Tudo isso junto pode gerar a sensação de falta de controle e, somados à falta de reconhecimento, podem provocar intenso sentimento de desvalorização no trabalhador.


Na medida em que é cronificada, essa condição vai impactando as relações no trabalho gerando um processo denominado de despersonalização, caracterizado pelo distanciamento emocional. Este seria um mecanismo de defesa adaptativo, dado que o ambiente de trabalho desperta conflitos internos difíceis de conciliar com a alta pressão emocional (Golonka e cols., 2017). O trabalhador passa a ter uma atitude pouco empática e até mesmo cínica nas relações interpessoais.


O burnout pode precipitar o aparecimento de quadros de depressão e ansiedade, mas também agravar condições físicas como a hipertensão, síndrome do intestino irritável e fibromialgia (Orosz e cols., 2017). Dada a complexidade do contexto que o desencadeia, endereçar adequadamente o quadro pode demandar ações num amplo espectro de setores da vida do sujeito. As ações podem incluir a negociação de mudanças nas condições de trabalho, assim como no equilíbrio entre a vida profissional e pessoal. Se você se identifica com os sintomas e situações acima descritos e tem enfrentado dificuldades em lidar com as suas consequências, buscar um profissional de psicologia pode oferecer apoio, acolhimento e clareza para que você possa cuidar de todos os aspectos da sua vida por ela impactados.


Saiba mais:


Golonka K, Mojsa-Kaja J, Popiel K, Marek T, Gawlowska M. Neurophysiological Markers of Emotion Processing in Burnout Syndrome. Front Psychol. 2017 Dec 13;8:2155. doi: 10.3389/fpsyg.2017.02155. PMID: 29326619; PMCID: PMC5736989.


Orosz A, Federspiel A, Haisch S, Seeher C, Dierks T, Cattapan K. A biological perspective on differences and similarities between burnout and depression. Neurosci Biobehav Rev. 2017 Feb;73:112-122. doi: 10.1016/j.neubiorev.2016.12.005. Epub 2016 Dec 16. PMID: 27993607.







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claudia faturi

Sou formada em Psicologia (Universidade Presbiteriana Mackenzie) e em Biomedicina (UNESP). Durante o meu Mestrado (UNIFESP), Doutorado (UNIFESP) e Pós-doutorado (USP) me dediquei à pesquisa científica investigando como o estresse pode aumentar a suscetibilidade a quadros de depressão e ansiedade.

Apoiada na minha experiência clínica e acadêmica, atualmente me dedico ao consultório de psicologia clínica atendendo jovens e adultos. 

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